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Título: Hanseníase, risco e vulnerabilidade: perspectiva espaço-temporal e operacional de controle no Estado da Bahia, Brasil
Título em inglês: Leprosy, risk and vulnerability: spatio-temporal and operational perspective of control in Bahia State, Brazil
Autor(es): Souza, Eliana Amorim de
Orientador(es): Ramos Junior , Alberto Novaes
Palavras-chave: Hanseníase
Epidemiologia
Análise Espaço-Temporal
Conglomerados Espaço-Temporais
Vigilância Epidemiológica
Indicadores de Morbimortalidade
Prevenção & Controle
Data do documento: 16-Jan-2017
Citação: SOUZA, E. A. S. ; RAMOS JÚNIOR, A. N. (2017)
Resumo: O controle da hanseníase mantém-se ao longo do tempo e do espaço como grande e complexo desafio no Brasil. Em áreas de maior risco, a doença apresenta caráter focal de ocorrência. O Estado da Bahia faz parte destas áreas ou clusters de detecção da doença no país, com parâmetros de alta endemicidade. Questões epidemiológicas e operacionais devem ser aprofundadas, na perspectiva do tempo e do espaço. Objetivou-se neste estudo caracterizar os padrões epidemiológicos e operacionais da hanseníase, bem como fatores associados à sua distribuição espaço-temporal no Estado da Bahia. Trata-se de estudo ecológico de série espaço-temporal, de base populacional, com utilização de dados oficiais de morbimortalidade relativos à hanseníase. Os 417 municípios do estado e suas nove regiões de saúde foram utilizados como unidades de análise. O banco de dados de morbidade englobou todos os casos novos residentes no Estado com diagnóstico entre 2001-2014. Para a mortalidade, todos os óbitos que tiveram a hanseníase como causa múltipla e ocorreram no período de 1999-2014 foram analisados. A tese foi estruturada em quatro etapas que compuseram os percursos metodológicos adotados: 1- Descrição dos indicadores epidemiológicos e operacionais de controle da hanseníase, além de tendência temporal por regressão Joinpoint; 2- Caracterização de padrões espaciais e de aglomerados espaço-temporais de risco para detecção, transmissão recente e diagnóstico tardio por meio de análise de dependência espacial - índices Moran local e Getis-Ord Gi* e de reconhecimento de clusters; 3- Caracterização dos padrões espaço-temporais e aglomerados espaço-temporais de elevado risco para mortalidade, relacionada à hanseníase, além dos fatores potencialmente associados; 4- Reconhecimento das dimensões social e programática da vulnerabilidade para ocorrência da hanseníase e análise integrada dos potenciais determinantes e condicionantes sociais, para os diferentes padrões de distribuição espaço-temporal da morbimortalidade da doença. Foram notificados em 14 anos 40.054 casos da doença, com coeficiente de detecção geral de 20,41/100.000 habitantes, 5,83/100.000 habitantes para crianças e 5,7/100.000 para GIF 2, no diagnóstico de cada 100.000 habitantes. Ao longo de 16 anos, a hanseníase foi registrada em 481 óbitos (mortalidade proporcional: 0,04%; IC95%: 0,004-0,05), 188 (39,1%) como causa básica de morte e 293 (60,9%) como causa associada. O número médio anual de mortes foi de 30 óbitos por ano (IC 95%: 23,4-36,7), com coeficiente médio anual de 0,21 óbitos/100.000 habitantes (IC 95%: 0,13-0,29). O coeficiente de detecção de CN foi significativamente maior entre aqueles ≥70 anos de idade (RR: 8,45; IC95%: 7,08-10,09), negros (RR: 1,38; IC 95%: 1,33-1,43), residentes em cidade de médio porte (RR: 2,80; IC95%: 2,50-3,13) e residência fora da capital do estado (RR: 1,72; IC95%: 1,54-1,92). A detecção de CN com GIF 2 no diagnóstico foi significativamente maior entre homens (RR: 2,4; IC 95%: 1,6-3,4). Verificou-se tendência de redução no coeficiente de detecção geral (Average Annual Percent Change [AAPC] -0,4; IC95%: -2,8 a 1,9), manutenção em crianças (AAPC 0,2; IC95%: -3,9 a 4,5), além de aumento para casos com GIF 2 no diagnóstico (AAPC 4,0; IC95%: 1,3 a 6,8) e com classificação multibacilares (AAPC 2,2; IC95%: 0,1 a 4,3). Foram identificados clusters nas regiões Norte, Oeste e Extremo-Sul da Bahia, com elevados coeficientes, sustentados ao logo do tempo. Quase metade dos contatos registrados não foi examinada, enquanto a proporção de cura na coorte foi de 85%, a de abandono de tratamento de 5,5% e a de recidiva de 3,8%. Houve tendência significativa de aumento de contatos examinados e redução de abandono de tratamento, de forma mais expressiva entre as mulheres. Análise espacial demonstra grande número de municípios com desempenho insatisfatório dos indicadores operacionais, incluindo as regiões Norte e Extremo-Sul. Destaca-se número grande de municípios com desempenho ruim ou regular dos serviços de saúde para avaliação do grau de incapacidade física, no momento do diagnóstico. A avaliação do indicador de GIF 2 revela baixa ou média efetividade das atividades de detecção oportuna, em número expressivo de municípios baianos. Além de revelar possível endemia oculta. Os 25 municípios que compõem os principais clusters apresentam indicadores sociais, demográficos, econômicos, de acesso e qualidade de serviços de saúde que apontam para diferentes dimensões de vulnerabilidade social e programática. Os principais clusters identificados ao Norte e Extremo-Sul do Estado reúnem municípios com elevada vulnerabilidade. As mortes relacionadas à hanseníase estão associadas a complicações de reações hansênicas e efeitos adversos da terapêutica. Como conclusão, a hanseníase persiste como um problema de saúde pública no Estado da Bahia, ao longo dos 16 anos e deve se manter assim por décadas, tendo em vista a fragilidade das ações de controle. Alta endemicidade, transmissão ativa, diagnóstico tardio, provável endemia oculta e morte relacionadas à hanseníase compõem este quadro. Evidências de padrões desiguais de morbimortalidade no espaço e no tempo, aliadas ao reconhecimento de sobreposição de clusters de diferentes indicadores, reforçam a existência de áreas prioritárias. O enfrentamento da hanseníase no Estado passa pela ampliação da cobertura e qualificação das ações de controle, em especial a abordagem de contatos. A integração de elementos de vulnerabilidades às agendas de enfrentamento para superação dos determinantes sociais da doença deve ser foco dos programas
Abstract: The control of leprosy remains over time and space as a great and complex challenge in Brazil. In areas of higher risk, the disease presents a focal occurrence. The State of Bahia is part of these areas or clusters of detection of the disease in the country, with parameters of high endemicity. Epidemiological and operational issues need to be deepened in the perspective of time and space. The objective of this study was to characterize the epidemiological and operational patterns of leprosy, as well as factors associated with its spatio-temporal distribution in the State of Bahia. This is an ecological study of a population-based spatial-temporal series using official morbidity and mortality data on leprosy. The 417 municipalities of the state and its nine health regions were used as units of analysis. The morbidity database encompassed all new cases residing in the State diagnosed between 2001-2014. For mortality, all deaths that had leprosy as a multiple cause and occurred in the period 1999-2014 were analyzed. The thesis was structured in four stages that comprised the methodological paths adopted: 1- Description of the epidemiological and operational indicators of control of leprosy, in addition to the temporal trend by regression Joinpoint; 2- Characterization of spatial patterns and spatiotemporal clusters of risk for detection, recent transmission and delayed diagnosis through spatial dependence analysis - Moran local and Getis-Ord Gi * indices and cluster recognition; 3- Characterization of spatiotemporal patterns and spatiotemporal agglomerates of high risk for mortality, related to leprosy, in addition to the potentially associated factors; 4- Recognition of the social and programmatic dimensions of vulnerability to occurrence of leprosy and integrated analysis of the potential determinants and social determinants for the different patterns of spatio-temporal distribution of morbimortality of the disease. A total of 40,054 cases of the disease were reported in 14 years, with a general detection coefficient of 20.41 / 100,000 inhabitants, 5.83 / 100.000 inhabitants for children and 5.7 / 100.000 for GIF 2, in the diagnosis of every 100,000 inhabitants. Over a period of 16 years, leprosy was recorded in 481 deaths (proportional mortality: 0.04%, 95% CI: 0.004-0.05), 188 (39.1%) as the underlying cause of death and 293 (60.9 %) As an associated cause. The mean annual number of deaths was 30 deaths per year (95% CI: 23.4-36.7), with a mean annual coefficient of 0.21 deaths / 100,000 inhabitants (95% CI: 0.13-0.29 ). The coefficient of detection of CN was significantly higher among those ≥70 years of age (RR: 8.45, 95% CI: 7.08-10.09), black (RR: 1.38, 95% CI: 1.33 (RR: 2.80, 95% CI: 2.50-3.13) and residence outside the state capital (RR: 1.72, 95% CI: 1.54 -1.92). The detection of CN with GIF 2 at diagnosis was significantly higher among men (RR: 2.4; 95% CI: 1.6-3.4). There was a trend of reduction in the General Annual Percent Change (AAPC) -0.4, 95% CI: -2.8 to 1.9), maintenance in children (AAPC 0.2, 95% CI: (AAPC 4.0, 95% CI: 1.3 to 6.8) and with multibacillary classification (AAPC 2.2, 95% CI: 0.9 to 4.5). , 1 to 4.3). Clusters were identified in the North, West and South-South regions of Bahia, with high coefficients, sustained at the time. Almost half of the registered contacts were not examined, while the cure rate in the cohort was 85%, the treatment withdrawal rate was 5.5%, and the relapse rate was 3.8%. There was a significant tendency to increase contacts examined and reduction of treatment abandonment, more significantly among women. Spatial analysis shows a large number of districts with poor performance of operational indicators, including the North and South-South regions. We highlight a large number of municipalities with poor or regular performance of health services to assess the degree of physical disability at the time of diagnosis. The evaluation of the GIF 2 indicator reveals low or average effectiveness of timely detection activities in a significant number of municipalities in Bahia. In addition to revealing possible hidden endemia. The 25 municipalities that make up the main clusters present social, demographic, economic, access and quality indicators of health services that point to different dimensions of social and programmatic vulnerability. The main clusters identified in the North and Far-South of the State bring together municipalities with high vulnerability. Leprosy-related deaths are associated with complications of leprosy reactions and adverse effects of therapy. As a conclusion, leprosy persists as a public health problem in the state of Bahia, over the course of the 16 years and must be maintained for decades, given the fragility of control actions. High endemicity, transmission
Descrição: SOUZA, E. A. Hanseníase, risco e vulnerabilidade: perspectiva espaço-temporal e operacional de controle no Estado da Bahia, Brasil. 2017. 321 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2017.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/21646
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