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Título: Giordano Bruno e a crise religiosa da segunda metade do século XVI
Autor(es): Lopes, Ideusa Celestino
Data do documento: 2014
Editor: Revista Dialectus
Citação: Lopes, I. C. (2014)
Resumo: Neste artigo abordamos a crise religiosa que assolou a Europa no século XVI, iniciada com Martinho Lutero (1483-1546) quando tornou pública a sua insatisfação em 1517, contra vários procedimentos da Igreja Católica Apostólica Romana, em particular o tema das indulgências. O movimento denominado Contrarreforma ou Reforma Católica foi uma reação à disseminação dessas ideias, teve como auge a realização do Concílio de Trento realizado em 1545. Teremos como referência para esse estudo a compreensão elaborada por Giordano Bruno (1548-1600) exposta na obra Spaccio de la bestia trionfante, 2007, publicada em Londres em 1584. A referida obra trata especificamente da crise dos valores morais advinda da cisão dos cristãos em católicos e protestantes. A moral, segundo Bruno é o campo de discussão dos vícios e virtudes, considerados por ele como os primeiros princípios da moral e a religião é considerada como fomentadora da manutenção do convívio social. Para Bruno a sociedade do século XVI não tinha uma religião que desempenhasse este papel, pois se encontrava esfacelada, já que cada grupo defendia uma religião e uma interpretação particular das sagradas escrituras e, porque não dizer, de Deus. A questão principal que permeia a nossa investigação é: o que leva Bruno a criticar seja os católicos, seja os protestantes; o que nos levou a uma outra indagação: ao criticar ambas, Bruno propõe uma terceira via, um outro sistema religioso? Concluímos que a religião, para Bruno, deve ser considerada como um aglutinador social, um instrumento político a ser usado pelos governantes para manter a ordem entre os seus súditos. Os protestantes e os católicos, ao disputarem a posição de verdadeiros intérpretes da divindade, dos sacramentos e das sagradas escrituras, contribuíram para estabelecer a discórdia entre os fiéis, não cumprindo, assim, o seu papel de mantenedora da paz entre os diferentes grupos sociais. Uma possível saída da crise, anunciada no Spaccio, entendemos que está relacionada a incorporação da religião pelo poder político, ou seja, pelo Estado.
Abstract: In this article we address the religious crisis that inflicted Europe in the 16th century, initiated by Martin Luther (1483-1546) when he public disclosed his insatisfactions in 1571 against several procedures of the Roman Catholic Church, especially regarding the indulgences. The movement called Counter-Reformation or Catholic Reformation was a reaction to the dissemination of these ideas and had its peak by the time the Council of Trent took place, in 1545. As references to this study there will be used the comprehensions exposed by Giordano Bruno (1548-1600) in the work Spaccio de la bestia trionfante, 2007, published in London in 1584. This work deals specifically with the moral crisis arising from the division of Christians between Catholics and Protestants. The moral according to Bruno is a field of discussion regarding vices and virtues, considered by him as the first principles of the moral, and the religion is seen as the stimulator of the socializing experience. To Bruno the 17th century society didn’t had a religion that played this part, since it was disintegrated, each group defending a particular interpretation of the sacred scriptures and, in a sense, of God itself. The main question that permeates our investigation is: what led Bruno to criticize either Catholics and Protestants; which bring us to a another search: by criticizing both did Bruno proposes a third way, an alternative religious system? We gather that to Bruno the religion must be considered as a unifying social element, a political instrument to be used by the ones in power to keep the order among their subjects. Protestants and Catholics by disputing the position of true interpreters of the deity, sacraments and sacred scriptures, contributed to establish the quarrel between the believers, unfulfilling its role as keepers of the peace between different social groups. A possible solution for this crisis, proclaimed in Spaccio, is in our understanding related to the annexation of the religion by the political power, the State.
Descrição: LOPES, Ideusa Celestino. Giordano Bruno e a crise religiosa da segunda metade do século XVI. Revista Dialectus, Fortaleza, ano 2, n. 4, p. 13-27, jan./jun. 2014.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/22199
ISSN: 2317-2010
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