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Título: Mito, símbolo e imaginação: um percurso a partir da hermenêutica de Paul Ricouer
Título em inglês: Myth, symbol and imagination: a journey from the hermeneutics of Paul Ricouer
Autor(es): Medeiros, Jonas Torres
Orientador(es): Leal, Ivanhoé Albuquerque
Palavras-chave: Hermenêutica (Religião)
Fenomenologia
Imaginação (Filosofia)
Hermeneutics
Myths and symbols
Data do documento: 2015
Citação: Medeiros, J. T.; Leal, I. A. (2015)
Resumo: O fio condutor deste trabalho é a relação entre mito, símbolo e imaginação na hermenêutica filosófica de Paul Ricoeur. A reflexão sobre esses temas ampara-se nas principais obras do filósofo publicadas na década de 1960: La Symbolique du Mal (1960), De l'interprétation: essai sur Freud (1965) e Le conflit des interprétations: essais d'herméneutique (1969). A análise dessas obras conduz, a partir de uma interpretação dos múltiplos símbolos e mitos do mal em diversas religiões e tradições culturais, a uma nova compreensão de imaginação e de subjetividade. A pesquisa visa mostrar como a filosofia proposta pelo autor arbitrou as diferentes e por vezes conflitantes abordagens hermenêuticas em torno do problema do símbolo. Desde o início de seu itinerário, Ricoeur deixa claro seu vínculo com duas culturas que constituem, segundo ele, o primeiro estrato de nossa memória filosófica: a cultura grega e a judaica. Mais precisamente, o encontro da fonte judaica com a origem grega é a intercessão fundamental e fundadora de nossa cultura. A fonte judaica é o primeiro outro da filosofia, seu outro mais próximo. Nossa investigação é animada pela expressão tão breve quanto densa e emblemática cunhada por Ricoeur na conclusão de La symbolique du mal (1960): “o símbolo dá que pensar”. Com essa máxima, explicita-se o símbolo como via de acesso a uma renovação da filosofia reflexiva. Essa via se efetiva por um desvio: de fato, a primeira verdade das filosofias da consciência — existo, penso — só pode ser atingida através de uma via longa, um desvio, até onde o Cogito se objetivou: suas obras, ações, representações e instituições. A decifração dessa objetivação é que revela a compreensão do si. A pesquisa mostra, portanto, que uma filosofia da reflexão não se identifica com uma filosofia da consciência, se por consciência entendemos a consciência imediata de si mesmo. Daí a necessidade de mediação, âmbito onde se situam os símbolos. A consciência não seria, então, um dado, mas uma tarefa. A pesquisa proposta tenta, ainda, avaliar o confronto entre a crítica de Freud e a análise da simbólica do mal, através de uma leitura crítica do livro De l'interprétation: essai sur Freud. Essa etapa nos conduz ao ponto em que a arqueologia freudiana do Cogito, aliada a uma teleologia da consciência de si, fornecem uma mediação dialética para o conflito de duas hermenêuticas rivais: a da suspeita (ou redução) e a da restauração. Por fim, avalia-se que concepção de imaginação emerge dessa guerra das interpretações, discutindo o papel que uma teoria da imaginação pode desempenhar como elemento que revela a articulação e a coerência do itinerário filosófico do autor em estudo.
Abstract: The guiding principle of this work is the relationship between myth, symbol and imagination in the philosophical hermeneutics of Paul Ricoeur. The consideration of these themes is supported by the major works of the philosopher published in the 1960's: La Symbolique du Mal (1960), De l'interprétation: essai sur Freud (1965) and Le conflit des interprétations: essais d'herméneutique (1969). The analysis of these works leads, from an interpretation of multiple symbols and myths of evil in various religions and cultural traditions, to a new understanding of imagination and subjectivity. The research aims to show how the philosophy proposed by the author refereed the different and sometimes conflicting hermeneutics approaches around the problem of the symbol. Since the beginning of his itinerary, Ricoeur makes clear its link with two cultures that are, according to him, the first layer of our philosophical memory: the Greek and Jewish culture. More precisely, the meeting of the Jewish source with the Greek origin is the the fundamental intercession and founder of our culture. The Jewish source is the first other of philosophy, his closest other. Our investigation is motivated by the expression as soon as dense and emblematic coined by Ricoeur at the conclusion of La symbolique du mal (1960): “the symbol causes us to think”. With this maxim, explains the symbol as a means of access to a renewal of the reflective philosophy. This route becomes effective by a detour: in fact, the first truth of the philosophies of consciousness — I exist, I think — can only be achieved through a long detour, as far as the Cogito was objectivated: his works, actions, representations and institutions. The decipherment of this objectification reveals the understanding of the self. The research shows that a philosophy of reflection does not identify with a philosophy of consciousness, if by consciousness we understand the immediate consciousness of self. Hence the need for mediation, scope where the symbols are located. The conscience, then, wouldn't be a datum, but a task. The research proposal also tries to assess the confrontation between the critique of Freud and symbolic analysis of evil through a critical reading of the book De l'interprétation: essai sur Freud. This step leads to the point where the archaeology of Freudian Cogito, allied to a teleology of the self, provide a dialectical mediation to the conflict of two rivals hermeneutics: the hermeneutics of suspicion (or reduction) and the hermeneutics of restoration. Finally, evaluates the conception of imagination that emerges of the war of interpretations, assessing the role that a theory of the imagination can play as an element which reveals the articulation and coherence of the author's philosophical itinerary.
Descrição: MEDEIROS, Jonas Torres. Mito, símbolo e imaginação: um percurso a partir da hermenêutica de Paul Ricoeur. 2015. 134f. – Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Fortaleza (CE), 2015.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/22087
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