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Título: Perfil cognitivo, ritmo e padrões do sono em pacientes portadores de esquizofrenia
Título em inglês: Sleep alterations, circadian rhythm and cognitive function in schizophrenia – a study of 82 patients
Autor(es): Campos, Eugênio de Moura
Orientador(es): Bruin , Veralice Meireles Sales de
Palavras-chave: Esquizofrenia
Antipsicóticos
Data do documento: 2007
Citação: CAMPOS, E. M. (2007)
Resumo: A esquizofrenia é uma doença heterogênea quanto a características e gravidade dos sintomas. Diversas alterações relacionadas ao sono, com possíveis efeitos sobre a capacidade funcional, foram descritas. Dentre os poucos estudos que registraram ritmo circadiano na esquizofrenia, alguns sugerem que os indivíduos com alterações de ritmo apresentam menor rendimento em testes neuropsicológicos. Os estudos neuropsicológicos com pacientes esquizofrênicos dão conta de um comprometimento de diversos tipos de funções incluindo a memória operacional tanto verbal quanto viso-espacial. Muitos desses testes são considerados longos e complicados e a utilidade de cada um deles ainda não está esclarecida. Este trabalho teve por objetivo: avaliar os padrões do sono, o cronotipo, o perfil neurocognitivo e as suas relações com parâmetros clínicos e funcionais. Trata-se de estudo observacional, transversal, de pacientes com esquizofrenia, em uso de antipsicóticos convencionais ou de última geração, quanto à capacidade funcional, alterações do sono e perfil neurocognitivo. Foram utilizadas medidas para avaliação da capacidade de funcionamento (Escala de Avaliação Global do Funcionamento – AGF), gravidade das comorbidades (Cumulative Illness Rating Scale – CIRS), qualidade do sono (Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh – IQSP), sonolência diurna (Escala de sonolência de Epworth – ESE), cronotipo (Questionário de Horne e Östberg) e uma bateria de testes neurocognitivos incluindo os testes de Stroop, Dígitos Direto e Indireto, Corsi Direto e Indireto e Fluência Verbal (Categórico). Foram estudados 82 pacientes (51,2% do sexo masculino) com idade entre 17 e 59 anos (35,2±10,4) em uso de antipsicóticos convencionais (N=22), olanzapina (N=30) ou risperidona (N=30). Observou-se má-qualidade do sono (IQSP>5) em 41 (50%) e sonolência excessiva diurna (ESE≥10) em 20 (24,4%) pacientes. A má qualidade do sono associou-se com o gênero feminino (P=0,01). Uma tendência de associação entre a capacidade funcional e a qualidade do sono (P=0,07) foi registrada. Observou-se que a pior capacidade funcional associou-se com a idade mais avançada, um número reduzido de anos escolares e maior gravidade das comorbidades. Com relação ao cronotipo e considerando o grupo total, 08 pacientes (9,8%) eram do tipo definitivamente vespertino, 39 (47,6%) eram do tipo moderadamente vespertino, 33 (40,2%) eram do tipo indiferente, dois (2,4%) eram moderadamente do tipo matutino e nenhum era definitivamente matutino. Os pacientes mais jovens e do sexo masculino apresentavam uma preferência mais vespertina (F= 6,32; P= 0,01), de forma semelhante à população em geral. Os casos em uso de antipsicóticos convencionais apresentaram uma tendência para maior preferência vespertina. As comorbidades mais frequentemente relatadas relacionaram-se a queixas osteoarticulares, sintomas psicológicos e alterações metabólicas. Os testes neurocognitivos apresentaram-se alterados na maioria dos casos, observando-se que a maioria dos pacientes apresentava escores inferiores a 80% dos valores historicamente normais. O teste de Stroop relacionou-se com a AGF após controle para a idade e escolaridade (F= 6,43; P= 0,001). O teste de Dígitos Indireto relacionou-se com a AGF após controle para o gênero, a escolaridade e o tipo de antipsicótico (F= 4,76; P= 0,003). O teste de Corsi Direto relacionou-se com a capacidade global de funcionamento após ajuste para o gênero (F= 3,68; P= 0,01). O teste de Corsi Indireto relacionou-se com a capacidade global de funcionamento após ajuste para o gênero, escolaridade e tipo de tratamento (F=3,03; P= 0,02). Os testes de Stroop e Dígitos Indireto associaram-se mais fortemente e de forma independente com a capacidade funcional seguidos pelo Teste de Corsi Direto e Indireto. Observou-se uma relação entre o sexo feminino e a alteração do Teste de Corsi Indireto que avalia memória espacial. Em conclusão, má qualidade do sono é comum e associa-se ao sexo feminino. Observa-se uma tendência de associação entre a qualidade do sono e a capacidade funcional. No grupo geral, a preferência vespertina foi predominante. Os testes neurocognitivos estavam alterados na maioria dos casos. Os testes de Stroop e Dígitos Indireto, dois testes de realização rápida e fácil que avaliam a memória operacional, foram os que melhor se associaram com a capacidade funcional.
Abstract: Clinical characteristics and symptom severity are heterogeneous in schizophrenia making the course and outcome less predictable. Sleep disturbances have been frequently described in association with this illness and may have deleterious effect on functional abilities. A few studies have described circadian changes in schizophrenia and some suggest a relationship between circadian alterations and poor performance after neuropsychological tests. Previously, it has been shown that patients with schizophrenia have impairment of verbal and visual-spatial working memory. However, many of these tests are laborious, complicated and time consuming. The utility of the several available neuropsychological tests in schizophrenia is not yet totally clarified. We have aimed to study sleep alterations, morning-evening preference, neurognitive function and their relationship with clinical variables. This is a cross-sectional study of patients with schizophrenia on use of conventional or atypical antipsychotic regarding functional abilities, sleep alterations and cognitive function. Assessment procedures involved the use of the Global Assessment of Functioning (GAF) Scale, Cumulative Illness Rating Scale (CIRS), Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), Epworth Sleepiness Scale (ESS), Horne e Östberg questionnaire, and a neuropsychological battery that included the WAIS Digit Span Forward and Backward, Corsi block-tapping task (Forward and Backward), Stroop Color Word Interference Test and the Phonemic Verbal Fluency Test. We studied 82 patients (51.2% male) aged 17 to 59 years (35.2±10.4). Twenty-two were using conventional antipsychotic, 30 olanzapine and 30 risperidone. Poor sleep quality (PSQI>6) was observed in 41 subjects (50%) and excessive daytime sleepiness (ESE≥10) in 20 (24.4%). Female gender was associated with poor sleep quality (P=0.01). A trend of association between quality of sleep and GAF was observed (P=0.07). Worse disability, as evaluated by GAF, was associated with age, reduced number of school years and greater comorbidity severity. In relation to morning-evening preference, eight patients (9.8%) were definitely evening, 39 (47.6%) were moderately evening 33 (40.2%) were indifferent, 2 (2.4%) were moderately morning and none were definitely morning type. Younger patients and of male gender showed more evening preference (F= 6.32; P= 0.01) similar to previous reports in the literature. Frequent comorbidities were related to osteoarticular complaints, psychological symptoms, and metabolic alterations. Neuropsychological tests were altered in the vast majority of patients with values below 80% of historical normal values. The Stroop test was associated with GAF after controlling for age and school years (F= 6.43; P= 0.001). The Digit Span Backward was associated with GAF after controlling for gender, school years and type of antipsychotic (F= 4.76; P= 0.003). The Corsi block-tapping task Forward was associated with GAF after controlling for gender (F= 3.68; P= 0.01). The Corsi block-tapping task Backward was associated with GAF after controlling for gender, number of school years and type of antipsychotic (F=3.03; P= 0.02). The Stroop and Digit Span Backward were best associated with functional ability followed by the Corsi block-tapping task (Forward and Backward). A correlation between female gender and visual-spatial memory as evaluated by the Corsi Block-tapping Task Backward was observed. In conclusion, poor sleep quality is common and more present in women with schizophrenia. A trend between poor sleep quality and functional disability was observed. In general, an evening preference was predominant. Neurocognitive tests were altered in the majority of cases. The Stroop and Digit Span Indirect, two quick and easy to perform tests that evaluate working memory, were those that presented the greater association with global functional ability.
Descrição: CAMPOS, Eugênio de Moura. Perfil cognitivo, ritmo e padrões do sono em pacientes portadores de esquizofrenia. 2007. 101 f. Tese (Doutorado em Farmacologia) - Universidade Federal do Ceará. Faculdade de Medicina, Fortaleza, 2007.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/2717
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