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Título: O trabalho no mangue nas tramas do (des)envolvimento e da des(ilusão) com "esse furacão chamado carcinicultura": conflito socioambiental no Cumbe-Aracati-CE
Título em inglês: The experiences and the resistance of the native population of Cumbe in the conflicting cultural scenario of subsistence fishery and shrimp farming, and of the carcinicultura, Cumbe, Aracati-CE
Autor(es): TEIXEIRA, Ana Claudia de Araujo
Orientador(es): LINHARES, Ângela Maria Bessa
Palavras-chave: Conflito social - Aspectos ambientais - Aracati(CE)
Camarão - Criação - Aspectos ambientais - Aracati(CE)
Manguezais - Aspectos sociais - Aracati(CE)
Data do documento: 2008
Editor: http://www.teses.ufc.br
Citação: TEIXEIRA, A. C. A. ; LINHARES, A. M. B. (2008)
Resumo: A carcinicultura – criação de camarão em cativeiro – tem sido responsável pelo rápido crescimento da aqüicultura mundial. Introduzida no Brasil na década de 70, somente a partir de 1996/1997, com o desenvolvimento de um pacote tecnológico do camarão do pacífico (Litopenaeus vannamei), através do incentivo de políticas públicas e com o financiamento dos bancos públicos, atinge um crescimento acelerado até 2004. No Ceará, o município de Aracati concentra o maior número de fazendas de camarão e a maior área ocupada, estando grande parte destas implantada no Cumbe – um lugar rico por dar muito caranguejo. A delimitação do nosso objeto de estudo pode ser explicitada na pergunta: como os(as) trabalhadores(as) vivenciam o trabalho no mangue e constroem a resistência no tecido cultural conflitivo da pesca artesanal e da carciniculutra na comunidade Cumbe, em Aracati-CE? Buscando atender aos objetivos implícitos nesta pergunta adotamos o referencial metodológico da Hermenêutica de Profundidade, e com base em suas três fases – Análise socio-histórica, Análise Formal Discursiva e Interpretação/Re-interpretação –, conduzimos o nosso trabalho de campo realizado na comunidade Cumbe (dezembro/2006 a fevereiro/2007) e a discussão do material empírico coletado, por meio de observação participante e entrevistas abertas. Os resultados mostram a existência de um conflito socioambiental no Cumbe, visto que o uso e a apropriação do território manguezal pela carcinicultura, baseado no discurso da crença no progresso e no desenvolvimento, da sustentabilidade e da eficiência, no início “envolve” e “ilude” os(as) trabalhadores(as), e, com o tempo, influencia o modo de vida da comunidade e sua relação com o ecossistema manguezal, comprometendo a continuidade da cultura do trabalho ali realizado, particularmente na sua instalação, ao devastar grandes áreas de mangue e ao fechar com cercas os criatórios de camarão, que dificultam ou impedem o acesso da comunidade ao mangue; e, especialmente, no desenvolvimento do seu processo produtivo, quando na realização da despesca do camarão, ocasionando a mortandade de peixes e caranguejos e a quase extinção destes últimos por cerca de três anos, situação que levou a que muitos catadores de caranguejo tivessem de ir trabalhar em áreas de mangue do Rio Grande do Norte – estado vizinho ao Ceará, e, em muitos casos, obrigaram-se a se empregar na carcinicultura em condições precárias e humilhantes. Portanto, o conflito socioambiental no Cumbe se configura pela disputa tanto no que se refere à distribuição de poder sobre o ecossistema manguezal como de uma luta simbólica em relação às categorias de “desenvolvimento”, “sustentabilidade” e “eficiência” que legitimam as diferentes práticas de uso e apropriação do território pelos distintos agentes sociais – carcinicultores e trabalhadores(as) do mangue. Nesse sentido, a resistência à carcinicultura ocorre em um contexto de desilusão da comunidade em relação à crença no desenvolvimento e na geração de emprego, e adquire força por ocasião da ocorrência da mortandade dos caranguejos, e com o apoio dos movimentos sociais ambientalistas e de pesquisa tem sido marcada pela construção de um discurso ambiental contra-hegemônico, fundamentado na crítica às noções de desenvolvimento, sustentabilidade e eficiência, propaladas pela carcinicultura, e na afirmação da identidade das comunidades tradicionais (povos do mangue), valorizando o seu modo de vida e de trabalho.
Abstract: Shrimp farming is the main cause of the rapid growth observed in aquiculture around the world. The practice was introduced in Brazil in the 1970s, but it required appropriate farming technology based on the Pacific white shrimp (Litopenaeus vannamei), incentive through public policies and funding by state banks beginning in 1996/1997 to trigger the boom which lasted until 2004. Most shrimp farms in the state of Ceará are located in the municipality of Aracati, especially in Cumbe ― a community located in the vicinity of a mangrove swamp abundant with crabs. The objective of our study was to investigate how the native population of Cumbe experiences work in the mangrove and builds up resistance in the conflicting cultural scenario of subsistence fishery and shrimp farming. As methodological reference we used depth hermeneutics comprising the stages of socio-historical analysis, formal or discourse analysis, and interpretation/re-interpretation. The field work was carried out in Cumbe between December 2006 and February 2007 through participant observation and open interviews. The information collected revealed the existence of a socio-environmental conflict in Cumbe as mangrove land is increasingly appropriated by shrimp farmers justified by claims of progress, development, sustainability and efficiency. Local workers were initially attracted to the prospects of the new industry, but eventually felt deluded as life and work in the community, as well as the relation between community and ecosystem, became seriously compromised. Vast mangrove areas were cleared and fenced off to make room for shrimp ponds, making access to fishing grounds more difficult for the local population. Likewise, upon shrimp harvesting, waste water containing sodium metabisulfite was let out into the tributaries of the Jaguaribe river killing great numbers of fish and crabs. The latter became almost extinct locally for three years forcing many crab fishermen to move to mangrove swamps in the neighbor state Rio Grande do Norte or even to take menial jobs in the shrimp farming industry. Thus, the socio-environmental conflict in Cumbe involves both a power dispute over the mangrove ecosystem and a symbolic clash between shrimp farmers and subsistence fishermen regarding the concepts of development, sustainability and efficiency which justify the use and ownership of the disputed territories. Resistance towards shrimp farming originated with the community’s disappointment over unfulfilled promises of development and job generation, reinforced by the near-destruction of the local crab fauna. Thus, a counter-hegemonic environmental discourse has emerged from new scientific knowledge and socio-environmental movements presenting a critique of the concepts of development, sustainability and efficiency as defined by the advocates of the shrimp farming industry, strengthening the identity of the native population and valuing the traditional ways of life and work.
Descrição: TEIXEIRA, Ana Claudia de Araujo. O trabalho no mangue nas tramas do (des)envolvimento e da des(ilusão) com esse furacão chamado carcinicultura: conflito socioambiental no Cumbe-Aracati-CE. 2008. 319f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Ceará. Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira, Fortaleza-CE, 2008.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/3371
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